Teste: novo Peugeot 208 tinha tudo para complicar a vida de Onix, HB20 e Polo, mas faltou o motor turbo

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Teste: novo Peugeot 208 tinha tudo para complicar a vida de Onix, HB20 e Polo, mas faltou o motor turbo => https://revistaautoesporte.globo.com/testes/noticia/2020/07/teste-novo-peugeot-208-tinha-tudo-para-complicar-vida-de-onix-hb20-e-polo-mas-faltou-o-motor-turbo.html

O novo Peugeot 208 será importado da Argentina (Foto: André Schaun)   Estava ansioso para conhecer o novo Peugeot 208 na Argentina, onde será produzido em El Palomar . É sempre difícil avaliar um carro pré-série, porque ele ainda não está totalmente finalizado, mas a expectativa de ver de perto o belo visual do hatch e claro, experimentar o novíssimo motor 1.2 turbo, era grande. Mas tive que esperar para poder lhe contar tudo sobre o carro. O teste ocorreu no começo de fevereiro deste ano, antes da pandemia do coronavírus . Por conta disso, o lançamento que estava previsto para junho no Brasil foi adiado para setembro e a marca deu autorização para os jornalistas publicarem suas impressões ao dirigir e outras informações somente agora. Uma parte da espera ainda continua, pois os preços não foram revelados.   As conversas na redação da Autoesporte antes da viagem para Buenos Aires sobre o novo Peugeot 208 eram de como ele chegaria para brigar de igual para igual, ou tirar muitas vendas, de Chevrolet Onix, Volkswagen Polo e Hyundai HB20 , principalmente, já que o sul-coreano vivia a polêmica sobre o novo design. Traseira conta com uma barra preta que liga as duas lanternas (Foto: André Schaun)   Ao contrário do modelo da Hyundai, o visual da nova geração do 208 foi muito bem aceita quando foi apresentado no Salão de Genebra de 2019 . A reação da crítica especializada e do público foi positiva. O que justificava a expectativa de chegada dele ao Brasil com o inédito motor 1.2 turbo . Era o carro que mudaria qualquer consumidor preconceituoso em relação a carros franceses. Mas a versão turbo do 1.2 Puretech não vem, nem mesmo o 1.6 THP de 173 cv que equipava o antigo 208 GT . Na Europa, o propulsor 1.2 a gasolina possui três variações de potência: 75 cv, 100 cv e 130 cv. A expectativa estava justamente pela mais potente por aqui. Porém, a decepção veio na hora que ouvi que o hatch não viria com nenhuma opção turbinada, foi grande. Será apenas o 1.6 flex atual na gama inteira, uma versão muito atualizada do propulsor usado no 206 em diante. A justificativa para não trazer o turbo é porque a nova versão topo de linha será 100% elétrica, batizada de e-208 . Peugeot 208 tem o volante com a base achatada e menor diametro (Foto: Divulgação)   Essa notícia já colocou em cheque essa expectativa do 208 brigar lá no topo do mercado. Até porque você que está lendo provavelmente também estava esperando em um motor turbo. A Avenida 9 de Julho é uma das principais vias de tráfego de Buenos Aires(Foto: Divulgação )   A motorização antiga não tira as outras qualidade de um dos lançamentos mais esperados do ano, mas pode ter um peso grande nas vendas. E nas críticas. A primeira vez que vi hatch na minha frente foi na saída do hotel no charmoso bairro da Recoleda, no noroeste da capital argentina. O 208 não decepcionou nada em termos de beleza e ficou à vontade em um dos bairros mais hipsters da cidade. As linhas são modernas e de muito mais bom gosto do que as do HB20, por exemplo. E são menos conservadoras do que as do Onix e do Polo . Na dianteira, os faróis fogem um pouco do desenho do 2008, 3008 e 5008, e trazem um prolongamento de LEDs até quase o final do para-choque, lembrando os dentes de um leão, símbolo da marca. Nas versões de entrada não há esse prolongamento e o espaço é preenchido por um plástico preto. Esse aplicação no LED faz alusão ao dente de um leão (Foto: Divulgação )   Como o leão é uma obsessão da Peugeot, a inspiração também vai para as lanternas dianteiras e traseiras, que são compostas por três barras verticais, remetendo às garras do felino. A traseira é marcada por uma barra preta que liga as duas lanternas e dá um toque bem moderno ao compacto, um ponto semelhante aos 3008 e 5008. Bem na parte central da barra há o nome da Peugeot e logo acima o leão marca sai presença.  As colunas largas  fazem homenagem a outros compactos históricos da marca, especialmente o 205. Um dos pontos fortes do novo 208 é o interior. A cabine do 3008, que é considerada referência no mercado dos SUVs médios, serviu como inspiração para o compacto em pontos como as superfícies côncavas revestidas de tecido e material emborrachado de boa qualidade. É um toque que vai além dos esperados plásticos macios. O teste percorreu mais de 120 km da capital argentina até o interior (Foto: Divulgação )   A herança do 3008 também vai para os botões com inspiração aeronáutica do painel. É uma prova de que o interior tem tanta personalidade quanto a parte externa. O modelo também manteve o característico painel mais elevado, porém, o quadro agora é totalmente digital e tem visualização 3D, por isso a Peugeot batizou o interior do modelo de i-Cockpit 3D. A compatibilidade com Android Auto e Apple CarPlay está no pacote. O volante com diâmetro reduzido e base achatada embeleza ainda mais a cabine do 208 e dá uma graça ao dirigir no dia a dia. Em relação ao tamanho, são 4,05 metros de comprimento (7 cm maior que o anterior) e 1,74 m de largura (4 cm superior). Já a altura foi reduzida em 4 cm e passou 1,43 m. O entre-eixos não mudou e continua com os mesmos 2,54 metros. O porta-malas leva 311 litros e está dentro da média do segmento. A versão de entrada foi flagrada do RJ sem o filete de LED (Foto: Felipe Castellões)   Todos esses detalhes visuais já são definitivos para o modelo que virá para o Brasil. As questões pré-série se concentraram mais na parte de ajustes mecânicos. A distância que percorri foi de pouco mais de 120 km, um percurso entre Buenos Aires e San Antonio de Areco, cidade no norte da capital argentina. Portanto, o suficiente para conhecer um pouco o carro pré-série. A nova plataforma modular CMP é bem mais moderna que a atual e deixou o hatch cerca de 30 kg mais leve, com menos de 1.200 kg. Também dentro do esperado para o porte. A posição de dirigir é ótima. O painel virtual elevado deixa tudo à vista e não exige que o olhar seja afastado do para-brisa para ver informações básicas. E o volante pequenino combina com a agilidade das reações. A impressão é de que esse compacto é mais "premium" do que os outros.  Nem tudo do i-cockpit é perfeito: quando o sol bate no painel de instrumentos, ele reflete como um espelho no rosto do motorista por conta do acabamento metalizado em volta da tela , dificultando também e leitura das informações em 3D.  Quando o sol bate no acabamento metálico ofusca a visão do motorista  (Foto: Divulgação )   Mas é o velho motor dá uma quebrada nessa empolgação dentro da cabine. São 118 cv e 16,1 kgfm, números razoáveis. Mas o torque máximo chega a 4.750 rpm (a Peugeot ainda não divulgou oficialmente os dados, porém, assim o é em outros carros da marca), o que exige mais aceleração e rotações para conseguir um fôlego extra. Bem diferente das respostas agressivas em baixa que o 1.2 turbo daria. Falando no Puretech, a versão aspirada dele deixou de ser oferecida.  O câmbio é sempre o automático de seis marchas, nada de caixa manual para esse carro.  As trocas não são muito suaves e acontecem em rotações muito altas, então é normal dar uns trancos, principalmente até a terceira marcha, depois as passagens são mais imperceptíveis Outra questão é em relação à suspensão, já que a Peugeot sempre teve fama de ter uma boa estabilidade. A suspensão e o amortecimento também não pareciam muito ajustados, dando aquelas batidas secas em algumas estradas ruins do interior da Argentina. O asfalto não ajudou muito em várias situações, mas o balanço em algumas ocasiões foi maior que o esperado dentro da cabine. Vale lembrar sempre que o carro é um pré-série, portanto, depois do teste há uma conversa com engenheiros da marca para passar a opinião sobre esses ajustes que devem ser feitos na hora do carro de série ser produzido. Certamente o pente fino deve ter sido feito antes do seu lançamento por aqui. Para compensar a falta do motor turbo, o novo 208 vem com pacote ADAS na versão topo de linha, que traz alerta de colisão frontal, detector de fadiga, alerta e correção de permanência de faixa, controle de cruzeiro adaptativo, carregador de celulares por indução, alerta de ponto cego, câmera de ré entre outros. Todas testadas e aprovadas com eficiência.  Um dos destaques do interior são os botões ao estilo aeronáutico (Foto: Divulgação)   Toda tecnologia e requintes visuais presentes na nova geração colocam o 208 em um patamar para brigar de igual para igual com o Onix e HB20. Ou até ter uma vantagem estratégica, uma vez que o 1.2 seria mais potente e torcudo do que seus concorrentes 1.0 turbo.  Mas é inegável que ausência do tão esperado motor turbo colocou o hatch alguns passos atrás nessa possibilidade de liderança e de mostrar uma inteiramente nova Peugeot, como a marca quer. Os valores estimados para as versões a combustão são de R$ 60 mil a R$ 80 mil. Resta saber o quão acessível será a versão elétrica, porque ela pode ser perfeita para concorrer com elétricos mais caros, mas não para ser uma alternativa aos compactos turbinados.        saiba mais 35 fotos do novo Peugeot 208: hatch chega ao Brasil este ano para brigar com Chevrolet Onix e VW Polo Flagra: novo Peugeot 208 é fotografado na versão de entrada sem faróis de LED e motor turbo Cinco qualidades do novo Peugeot 208 que vão infernizar a vida do Onix, Polo e HB20  



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